Meus palpites

Comentários, análises e opiniões do jornalista Clóvis de Oliveira

7/6/09

Cardápio para 2010 é preparado em Dourados

Como já foi reprisado várias vezes neste espaço, o cardápio da sucessão estadual vai passar, mesmo, por Dourados. E, como se diz no mundo sertanejo, a chapa começou a esquentar justamente em uma mesa do restaurante Kikão, ponto mais central da cidade, neste sábado, quando o ex-governador Zeca do PT instalou uma espécie de “comitê itinerante” e despachou por boa parte da tarde.

Entre um chopinho e outro, degustando porções de mandioca frita, ao estilo pantaneiro, Zeca trocou confidências ao pé do ouvido com o fiel escudeiro de sempre Carlinhos Cantor, um dos mais entusiastas pela volta do “governador”, como ele o chama ainda hoje.

As cadeiras à direita e à esquerda de Zeca foram ocupadas, no melhor modo revezamento, pelo prefeito Ari Artuzi, do PDT; pelos vereadores Gino Ferreira, do PMDB e Marcelo Hall, do PR e até pelo vice-governador Murilo Zauith, do DEM, o “preferido” do ex-governador na formação da chapa que vai tentar desbancar André do sonho da reeleição. Se isso se consumar, será a primeira vez na recente história de Mato Grosso do Sul que um governador com mandato interrompe a trajetória dupla.

Ari Artuzi, o vice Carlinhos Cantor, Zeca e Gino formam um quarteto de quatro legendas partidárias diferentes. Todos preocupados com as manobras de Puccinelli, mas de olhos e ouvidos bem abertos à voz rouca que vem das ruas, como já disse um dia FHC e depois, há dois anos, alertou o douradense da gema Totó Câmara, eleito e reeleito prefeito de Dourados e a quem o prefeito Artuzi ouviu, disciplinada e atentamente, antes de decidir que era possível “peitar” Puccinelli e o PMDB para chegar ao poder.

Aliás, trinta e tantos anos depois, Artuzi repete, à sua moda, a melhor performance totozista, entrando cozinha a dentro das casas por onde passa, tomando café no copo, dançando bailão, vigiando a atuação de cada auxiliar, desde o trocador de lâmpada até a secretária que ameaça voar sozinha. E vai tocando a cidade, e ainda dando “pitos” e “pitacos” no jogo político.

criado por Cl�vis de Oliveira    11:34:50 — Arquivado em: Sem categoria

4/6/09

A ordem é dividir para governar

Seguindo o ensinamento maquiavélico que norteou as grandes guerras pelo poder no mundo, o governador André Puccinelli (PMDB) pode estar sendo levado a sucumbir diante das artimanhas de dois fiéis adeptos dessa filosofia, os deputados Londres Machado (PR) e Ary Rigo (PDT), este último devidamente monitorado pelo articulado ex-deputado João Leite Schimidt.

Em princípio, a “guerra” começa pela entrada do andrezista Edson Girotto no PR de Londres, o que, em tese, “sinalizaria” [o destaque é por conta da observação feita em material oficial distribuído pela assessoria do partido] o apoio dos republicanos ao projeto de reeleição de André ao Governo do Estado.

O outro episódio semelhante é a paixão desenfreada que Rigo demonstra nutrir pelo governador, ainda que os homens-voto do PDT, entre eles o prefeito Ari Artuzi de Dourados e o deputado federal Dagoberto Nogueira de Campo Grande, estejam de namoro com o ex-governador Zeca do PT e dispostos a apostar na candidatura do titio, como diria o blogueiro Valfrido Silva, para a retomada do poder estadual pelo PT.

Da mesma forma, quando o trio Murilo Zauith, do DEM, Marisa Serrano, via Reinaldo Azambuja, do PSDB e os ex-comunistas do PPS, pelo “camarada” Athayde Neri, se reunem e anunciam uma possível e ousada candidatura ao Governo, desta vez é André quem comemora. Afinal, essa chamada terceira via é tudo o que ele mais quer, valendo a tese de Maquiável - dividir os exércitos para continuar reinando.

criado por Cl�vis de Oliveira    13:17:11 — Arquivado em: Sem categoria

31/5/09

Muitos pais, e sem carinho… o retrato da praça!

Enquanto muitos se preocupam se deveriam ou não ter retirado a estátua do campesino que carregava a erva-mate e ajudou a encher os bolsos de muitos dos ervateiros, estes sim os donos da erva-mate que notabilizaram a companhia inglesa Mate Laranjeira nos tempos da colonização, poucos dão atenção a outro espectro não menos deprimente, ali bem pertinho do cruzamento das avenidas Marcelino Pires com Presidente Vargas: a praça Antonio João abandonada.

 

Estamos próximos de comemorar o primeiro aniversário da praça interditada. Começou na gestão do ex-prefeito Laerte Tetila, que patrolou, literalmente, o que havia no quadrilátero central da praça. Só poupou, por milagre, o próprio Antônio João, que um dia já fora também “arrastado” do seu espaço por outros “reformadores” e a estátua do Colono, que resiste aos atropelos de emendas e projetos orçamentários.

Agora, enquanto a obra não recomeça, a população está a assistir a disputa de propaganda dos que se intitulam pais do projeto. Aliás, uma boa oportunidade para os fiscais de posturas e defensores da legalidade no que diz respeito à fixação de placas, faixas, cartazes e assemelhados se manifestarem.

criado por Cl�vis de Oliveira    13:42:45 — Arquivado em: Sem categoria

11/5/09

Alguém já parou para pensar Dourados?

Pensar Dourados é, obviamente, muito mais do que apenas querer pensar em como tirar proveito do que tem de bom, ou nao, em Dourados. Por isso, o questionamento quanto ao fato de que muitos dos que se propõem a formular um projeto político-administrativo para a cidade nem sequer sabem por onde começar. E vão se aventurando a trocar semáforos de lugar, reiventar rotatórias, mudar o paisagismo do canteiro central das principais avenidas e até, porque não, a substituir alguns marcos característicos de ex-administradores…

Medidas impopulares, como receitam políticos de maior bagagem, devem mesmo ser colocadas em prática já no primeiro ano de mandato, uma vez que é comum o eleitor “esquecer” de muita coisa até que chegue o próximo ano eleitoral. Seria essa a justificativa para a remoção dos tachões das ciclofaixas e até a remoção do ervateiro da área central da cidade? Pode até ser, mas, não se iludam, tem muita gente gostando dessas ações.

O concreto é que, ao par dessas medidas, devem se seguir algumas decisões que contenham pelo menos uma pitada de racional planejamento. É fato que as ciclofiaxas incomodavam nas estreitas ruas por onde foram colocadas, mas, então, o que fazer com os mais de 100 mil ciclistas que agora estão “jogados” ao trânsito desordenado? E, se o ervateiro também incomodava pela desproporcionalidade da obra numa área de intenso movimento, como fica a história de lutas e conquistas de quem ajudou a desbravar a região para as gerações futuras?

Por tudo isso, é preciso pensar Dourados. Antes de procurar satisfazer interesses imediatos, ou mesmo diante dessa necessidade, e aquém de ficar refém a projetos equivocados de um passado recente, é preciso ser ousado. Ousar não significa desafiar a ordem, atropelar o processo, mas encarar de frente os desafios e saber enumerar as alternativas para a sua solução. De olho nas urnas, certamente, como regra geral de quem ocupa o poder, mas, especialmente, comprometido com a consciência de quem deve buscar agir com justiça.

criado por Cl�vis de Oliveira    23:07:21 — Arquivado em: Sem categoria

9/5/09

De olho no 3º mandato, Lula prega aliança aos poucos

Olhem só quem está no cantinho à esquerda, sorridente... João Grandão também deve estar com saudade das criancinhas

Olhem só quem está no cantinho à esquerda, sorridente... João Grandão também deve estar com saudade das criancinhas

O presidente Lula não poderia mesmo ter outra reação. Ao “ganhar” a adesão do peemedebista André Puccinelli para um virtual terceiro mandato, só lhe restou defender a aliança gradual entre PMDB e PT

 

A viagem inaugural do Trem do Pantanal, nesta sexta-feira, marcou mais um passo no rumo da aproximação dos dois partidos. André levou Nelsinho Trad, Valter Pereira e Geraldo Resende e, de quebra, Delcídio do Amaral, o neo-aliado do PMDB em Mato Grosso do Sul, permaneceu “na dele” enquanto Lula defendia a tal “aliança aos poucos” entre os dois partidos.

O difícil é entender o que significa aliança aos poucos. Como se existisse eleição aos poucos! Ao pregar a aproximação dos dois partidos, respeitando algumas particularidades, como no caso da Bahia, onde PMDB e PT nunca irão se sentar à mesma mesa, Lula sabe que no Mato Grosso do Sul [1% da renda, do PIB, da miséria e outras comparações do ranking nacional...] essa união não vai causar nenhum tipo de estremecimento nacional.

Assim, pouco lhe importa se chegou a veza do ex-governador Zeca “abrir mão” do projeto de Governo para vir a ser senador, junto com o “desafeto” petista Delcídio Amaral. Pouco importa também ao presidente se André conseguirá ou não a reeleição. Se DEM ou PSDB chegarão a algum lugar nessa ameaça de rompimento que vivem ensaiando, mas não tem coragem de consumar.

O presidente gosta da idéia do terceiro mandato, mas preferia mesmo era que a “adesão” ao sonho de consumo viesse de algum peso-pesado tipo Aécio Neves. Enquanto isso…

criado por Cl�vis de Oliveira    09:24:52 — Arquivado em: Sem categoria

30/4/09

O que Zeca e André tanto procuram em Dourados

A partir desse título afirmativo, é bem possível acrescentar uma indagação: Zeca estaria a procurar os votos que vai precisar se decidir mesmo encarar o atual governador numa eventual disputa pela retomada do poder no Estado? E André, além de procurar uma forma de se livrar da “culpa” por ainda não ter autorizado a implantação do Anel Viário, estaria buscando flertar com o prefeito Ari Artuzi?

O fato é que nos últimos quinze dias Dourados passou a ser parada obrigatória dessas duas lideranças que vem polarizando a cena política de Mato Grosso do Sul desde 1996 quando André venceu Zeca na disputa da prefeitura de Campo Grande e dali em diante prometeu “varrer o PT”. Dois anos depois, Zeca foi eleito governador e em 2006 foi a vez de André ganhar o Governo na disputa com o PT, desta vez derrotando Delcídio Amaral, hoje neo-aliado do governador e em rota de colisão com parte da cúpula petista.

Por isso mesmo, é de se reafirmar que a sucessão de 2010 passará, obrigatoriamente, pelo colégio eleitoral de Dourados. E, por consequencia, pela nossa região, onde se concentram perto de 800 mil votos. Um número a se considerar.

criado por Cl�vis de Oliveira    17:16:30 — Arquivado em: Sem categoria

13/4/09

100 dias são suficientes para se montar um palanque?

Até parece cenas de filme sem legenda, onde as pessoas que não estão bem atentas na tela acabam confundindo ou não entendendo nada mesmo do que os atores estão falando. Soa desta forma, como um pastelão mal arranjado, o discurso de quem tenta se aproveitar de eventuais exageros da campanha dos 100 dias, elaborada pela atual administração, para começar a montagem do palanque de 2010.

Desde que se convencionou balizar o sucesso, ou não, de um administrador pelo número emblemático, para alguns cabalístico, dos 100 dias, não faltam os algozes, não raramente encarnados na figura de políticos derrotados ou vencidos, literalmente, para fazer deste momento a trincheira pela qual se acobertam mazelas e desmandos na maioria das vezes cometidos por esses mesmos quando no exercício de igual poder.

A sugestão, apontada pelo blog, de composição de um Conselho Político, vem justamente como contraponto àqueles que preferem o discurso fácil e oportunista de ocupar os espaços democraticamente concedidos pela Mídia - inclusive pelo Dourados News - para que sejam prevenidos erros e falhas que poderiam se evitar. É cômodo para quem já esteve no poder simplesmente criticar, especialmente aos que jamais aceitaram a crítica como instrumento de contribuição.

Portanto, antes de propor o xenofobismo invertido [eu posso ter os votos na sua cidade, mas não venha pedir votos aos eleitores "meus"] ou de procurar encobrir futuras demandas jurídicas com a tese, hipócrita por sinal, de que a melhor defesa é o ataque, o que se recomenda é a união de esforços, no melhor estilo da convivência harmônica e responsável, para que não sejamos no futuro acusados de construir castelos de areia que se desmancham à menor brisa de outono.

criado por Cl�vis de Oliveira    18:57:32 — Arquivado em: Sem categoria

9/4/09

Fazer pelos ricos para sobrar aos pobres

No jargão do futebol, costuma-se dizer que determinado atleta está “sobrando” em campo quando consegue dominar a bola na zaga, distribuir corretamente pelo meio e finalizar com precisão no ataque. Assim, o dito cujo acaba compensando eventual falta de habilidade dos companheiros do time e o conjunto colhe os resultados de forma satisfatória.

É mais ou menos a partir dessa premissa que podemos analisar a frase proferida pelo prefeito Ari Artuzi durante o ato de entrega das novas UTIs que passam a atender os usuários dos serviços de saúde oferecidos no Hospital da Vida, nome saudável dado ao antigo hospital de trauma, na rua Toshinobu Katayama.

Depois de falar que tem recebido ajuda do deputado Ary Rigo [presidente estadual do PDT] e do governador André Puccinelli [do PMDB], o prefeito avaliou que nesses cem dias de mandato já conseguiu fazer muita coisa, atendendo um pouco em cada setor. “Estamos fazendo pelos ricos também, a gente tem que fazer pelos ricos, para sobrar aos pobres”…

Seria um recado para aqueles que tanto o combateram em campanha e que acabaram vítimas do bordão que se espalhou na reta final da disputa do ano passado quando ficou evidente o confronto entre o rico e o pobre?

criado por Cl�vis de Oliveira    16:38:16 — Arquivado em: Sem categoria

4/4/09

É hora de pensar no Conselho Político

No dia 10 de abril, sexta-feira santa, a administração do prefeito Ari Artuzi completa os primeiros cem dias, número que costuma servir como referencial principalmente para os analistas de plantão e sobretudo aos críticos e adversários para avaliar o que já foi feito, ou não, e prognosticar sobre o que pode vir pela frente.

Diante disso, sugiro que o prefeito comece a pensar na formação de um Conselho Político, organismo de apoio às ações político-administrativas, e que teria o caráter de respaldo aos atos emanados das decisões de Artuzi. Até como forma de desobrigá-lo de cuidar pessoalmente das pequenas demandas e passar a pensar com mais atenção na grande política, ou nas macro decisões, considerando os desafios que se impõem a um município do porte de Dourados.

Pelo que se percebe, os primeiros cem dias sinalizam que o respaldo popular do prefeito se mantém elevado, muito mais em função do próprio esforço pessoal dele e pela cobrança ao trabalho de equipe. Administrativamente, se constatam equívocos ainda não comprometedores, muito mais em função da vontade de acertar que predomina no conjunto, porém, a máquina funciona satisfatoriamente, apesar da torcida contra.

A formação do Conselho Político, que obviamente deveria ter a frente o articulado, apesar da pouca experiência, secretário de Governo Darci Caldo, não precisa necessariamente contar apenas com integrantes da Administração. É possível convidar algumas cabeças do meio social e empresarial, lideranças religiosas e associativas e procurar integrar os organismos de ação imediata aos estratégicos, envolvendo a estrutura administrativa como um todo.

Com isso, seria possível definir metas e traçar rumos no sentido de consolidar, talvez, o projeto de auto-afirmação que está faltando para o Município fazer frente a alguns questionamentos que sempre surgem, especialmente às vésperas de eleições, sobre representatividade, poder político, liderança regional e, acima de tudo, responsabilidade com as gerações futuras.

criado por Cl�vis de Oliveira    11:15:56 — Arquivado em: Sem categoria

12/3/09

Pra que servem os partidos políticos?

Se o amigão Ciro Gomes (PSB/CE) decidir um dia voltar a disputar a Presidência da República, não precisará mais se preocupar com filiação partidária. Ele está legitimado pelo amiguinho Geraldo Resende (PMDB/MS), que deve-lhe o mandato depois que o próprio Ciro tratou de excomungar a importância de um partido político na vida democrática brasileira.

Agora, os quase 50 partidos existentes e registrados junto ao TSE não terão mais argumentos para requererem o tal fundo partidário, dinheiro com o qual dizem custear os programas exibidos na TV para mostrar os candidatos e nem tampouco os políticos vão querer saber de partido.

Curiosamente, o processo contra Geraldo, que permaneceu engavetado por quase três anos, só “andou” depois que o PMDB, um dia o maior partido da defesa da democracia, chegou ao poder na Câmara e no Senado, com as bençãos do PT, melhor dizendo, do presidente Lula. Afinal, se partido não serve mesmo pra mais nada, viva Sarney, Lula, Collor, Temer e, claro, Ciro e Geraldo, que acabam de criar o maior precedente para que nenhum político seja mais punido. A não ser pelo povo.

criado por Cl�vis de Oliveira    13:58:32 — Arquivado em: Sem categoria
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