Meus palpites

Comentários, análises e opiniões do jornalista Clóvis de Oliveira

23/9/09

Cada um escolhe uma forma para se aparecer

Essa briga pela instalação, ou não, de usinas de cana-de-açúcar no pantanal, vem acirrando ânimos há pelo menos 30 anos. Mas desta vez extrapolou os limites do racional. Chamar ministro de “viado” e governador de “enrustido” talvez tenham sido formas modernas para substituir consequências como a queima da palha da cana, a destruição do ecossistema, matança de animais e de cortadores de cana, para ficar em alguns exemplos dessa “invasão” à exuberância da natureza sempre ameaçada pelo tal do desenvolvimento.

criado por Cl�vis de Oliveira    21:23:37 — Arquivado em: Sem categoria

22/9/09

Nem blog, nem twitter… palpites

A partir de agora, decidi inovar novamente. Depois de ter sido o primeiro a “inventar” um blog no jornalismo on line de Mato Grosso do Sul, e de ter ameaçado entrar na era do twitter, sem paciência pra ficar “contando” o que faço a cada instante, resolvi que gosto mesmo é de dar palpites.

Aliás, essa tem sido a trajetória desde que aprendi, com o bom e imortal Véio Tatau, o meu segundo pai José Guerreiro, nos tempos da Rádio Clube em 1976, que o melhor caminho para se aprender a ser alguém ou a fazer algo é mesmo o de sempre querer continuar sendo um aprendiz.

Assim, podem ir se acostumando. Aqui vou continuar aprendendo a observar o que vejo, escuto e sinto. Da mesma forma irreverente, séria, sincera, comprometida…

criado por Cl�vis de Oliveira    20:11:02 — Arquivado em: Sem categoria — Tags:

6/8/09

Quando a propaganda é a arma contra o negócio

Nos meios publicitários há uma máxima tida como verdadeira de que “a propaganda é a alma do negócio”. Ou seja, é preciso investir muito nessa área, principalmente sob o argumento de que as pessoas precisam ser induzidas a comprar esse ou aquele produto. Da mesma forma, na política, os ocupantes de cargos públicos sentem essa necessidade.

Há casos, entretanto, em que os excessos acabam sendo mais fortes do que o efeito da propaganda. É o que mostra recente pesquisa encomendada pelo governador André Puccinelli, ele próprio um exímio propagandista, sinalizando que o eleitor-cidadão quer mais ação e menos conversa. Para a maioria dos entrevitados, é dever do político com mandato trabalhar para conseguir os benefícios sociais.

Daí que a propaganda, feita após tal benefício obtido, acaba soando muito mais do que como um gasto a mais do que propriamente como prestação de contas. Esse é o alerta que serve para muitos políticos e que a iniciativa privada já aprendeu a partir do momento em que passou a instituir campanhas promocionais de qualidade.

criado por Cl�vis de Oliveira    16:56:27 — Arquivado em: Sem categoria

Lá como cá, estamos todos grampeados

Começo esta postagem recorrendo a um episódio, no mínimo inusitado, que ocorreu-me justamente na quarta-feira em que o acuado José Sarney preparava a garganta para soltar os ‘marimbondos de fogo’ contra aqueles que desejam apeá-lo do comando do Senado. Após realizar uma operação bancária, no BB, quando preparava para anexar o cupom de pagamento ao boleto bancário, consegui (exatamente!) fixar um dos grampos justamente no dedo indicador da mão esquerda!!!

Jamais imaginei que um dia iria conseguir tal proeza, porém, tal qual o veloz e intrépido Sarney, saquei o grampo assassino com o polegar e o dedo indicador da mão direita, demonstrando que não será um mero grampinho, ou seria um grampozinho, que vai me fazer interromper a caminhada. Ainda mais porque estava ali, naquele momento, apenas cumprindo uma missão econômico-tributária. Nada demais em tempos de tantas escutas e grampos…

Eis que essa constatação levou-me, já refeito da gramponada (eita!), a refletir sobre os reflexos que um instrumento, ainda que pequeno, e sem nenhuma conotação eletromagnética, pode causar no cotidiano das pessoas. Nem por isso, entretanto, vamos nos esconder debaixo dos colchões e evitar o contato hanseniáseco com personagens a quem nos relacionamos, política ou comercialmente, sob pena de nos transformarmos em verdadeiros homens das cavernas.

E se até mesmo naqueles tempos havia paus e pedras, e por conseguinte, nasceu o fogo, então…

criado por Cl�vis de Oliveira    16:47:56 — Arquivado em: Sem categoria

30/7/09

Em respeito ao amigo Isaac de Barros

Anônimos, frustrados ou covardes mesmo. Ou, talvez, seriam partes diretamente interessadas, até em função do último resultado eleitoral da disputa municipal de 2008. A verdade é que, em nome da justiça e para que se prevaleça a retidão e a ética, saúdo aqui a inteligência e a astúcia do amigo jornalista e irrepreensível tribuno Isaac Duarte de Barros Júnior.

É dele a observação, lúcida e providencial, para que todos os colegas jornalistas - diplomados ou não, jabazeiros de plantão ou pilares da moralidade como alguns se autoproclamam - tenham cautela na divulgação dos passos que norteiam os trabalhos da operação “Owari” que a Polícia Federal desenvolve em Dourados. Ainda não existe sentença, portanto não há condenados e, logo, inexistem culpados.

Por que não aguardarmos o desfecho de um processo? Se demorou dois anos, como a própria PF afirma, para a operação “pega-pega”, quem somos nós para querer abreviar ou queimar etapas, e já crucificar quem quer que seja? A polícia e a justiça têm suas responsabilidades. Nós temos a função de informar. Em obediência ao que diz a lei. Senão, seremos nós os usurpadores da ordem. E aí, definitivamente, estará estabelecido o caos.

Ah, uma observação derradeira: Neste blog não há filtragem dos comentários. Os mais abusados são simplesmente excluídos, ou deletados, na linguagem da internet. Por isso, volto a repetir: Sejam suficientemente capazes de assumir, assinando embaixo, sobre o que quiserem manifestar. Assim, ganha a liberdade de expressão. Com responsabilidade.

criado por Cl�vis de Oliveira    12:34:25 — Arquivado em: Sem categoria

24/7/09

O papel da imprensa na operação Owari e outras

A notícia, como dever de quem atua nessa área, e como direito de quem busca a informação detalhada no dia-a-dia, deve vir sempre acompanhada de responsabilidade, bom senso, e, sobretudo, a tão propagandeada ética profissional prescrita pelos neo e jornalistas ao longo dos cansativos e enfadonhos debates que agora se procura travar, especialmente nos finais de tarde, sobre quem está ou não praticando o “melhor” jornalismo.

Faço essa introdução para lembrar a cobertura que vem sendo feita pela imprensa de Dourados, Mato Grosso do Sul e pelo Brasil afora em torno dos últimos acontecimentos envolvendo personalidades do mundo político e empresarial com as investigações da chamada operação “Owari” desencadeada pela Polícia Federal, respaldando ações da Justiça estadual.

Afinal, sob qual interesse a conceituada “Folha de S. Paulo” e o não menos renomado “Terra” usariam como manchete situações envolvendo ex-figuras do campo político estadual, associando-os aos novos fatos? E por quais razões a imprensa regional estaria agora, talvez um pouco retardamente, reproduzindo gravações já consideradas “segredos de justiça”, e ainda assim temerosamente omitindo o quem, elemento principal dos fatos?

É preciso considerar que a função destinada aos jornalistas deve se basear, fundamentalmente, nos fatos que estão sendo colocados como fator de investigação e, obviamente, na capacidade de discernimento de quem exerce a profissão. Até porque o ilustre jornalista Nilson Lage, professor titular da cadeira na Federal de Santa Catarina, já disse - e foi em Dourados, durante palestra aos acadêmicos do curso de Jornalismo - que a nossa missão é a de “ver, ouvir e contar”.

Por isso mesmo, para que seja possível contar o que se viu e ouviu, é preciso, antes de mais nada, muito mais competência do que um simples canudo. Assim, de nada adianta vir agora reproduzir cópias de fatos sabidamente ocorridos ao longo de um tempo simplesmente porque se pretende ou obter vantagens futuras, ou meramente se redimir de omissões de outrora.

Basta ver o reflexo da dimensão que se pretende dar, agora, ao mais recente episódio envolvendo os considerados homens-chaves do momento, em contraposição aos não menos ilustres episódios já noticiados, e com bem menos alarde, em tempos recentes. De qualquer forma, é preciso destacar que a imprensa ganha e aprende - ainda que resista em apreender diante dos fatos - a cada novo acontecimento.

criado por Cl�vis de Oliveira    23:34:08 — Arquivado em: Sem categoria

9/7/09

A tênue linha que separa o processo policial do político

Não inventaram ainda o equipamento capaz de medir a espessura dessa tênue linha que divide um processo político dos acontecimentos policiais. Em termos nacionais, não raro surgem os escândalos, de tempos em tempos. Assim é desde o período manárquico. Os mais recentes, pra refrescar a memória, passaram pela Casa da Dinda, pela cobertura de um prédio na área central de São Bernardo do Campo, apenas para focar o ângulo nacional.
Em termos regionais, já tivemos episódios que não chegaram a atingir tamanha envergadura, até por se tratar de um Estado [Mato Grosso do Sul] que potencializa 1% do quadro nacional. Mas é possível lembrar episódios envolvendo empreiteiras fantasmas, obras pagas e não realizadas, licitações com endereço certo, dispensa de licitações não menos turbulentas, ameaças de auditorias e sindicâncias inconclusas.
Na verdade, essa relação incestuosa entre investidores de campanhas eleitorais com os eleitos sempre foi “permitida”, até em função da falta de interesse do Poder em modificar a legislação. O que ocorre, na revoada recente que atingiu Dourados, é que os efeitos desse arrastão só serão sentidos, provavelmente com mais intensidade, a partir de maio do ano que vem. Obviamente porque 2010 é um novo ano de eleições.
Combater a corrupção, lição número um da Polícia Federal, deveria ser, sempre, exercitada. Inclusive porque a incipiente democracia brasileira ainda não fez com que alguns ocupantes dessa nova geração do poder aprendessem a conviver com o “mel” e o “melado”, o primeiro fruto do esforço coletivo das abelhas e o segundo, derivado desse esforço, porém compartilhado por segmentos de fora da colméia.

criado por Cl�vis de Oliveira    09:49:13 — Arquivado em: Sem categoria

2/7/09

Investimentos que vão transformar Dourados

Enquanto se discute se a crise internacional é apenas uma marolinha, se Sarney tem que deixar a presidência do Senado ou se a mudança do nome do Estado é o fator mais importante do momento, estamos deixando de assistir ao verdadeiro fenômeno do crescimento bem pertinho das nossas narinas.

Não é mera obra do acaso o interesse com que os políticos de todas as cores, respaldados pela expressiva reserva de recursos disponíveis no Tesouro nacional, têm olhado para Dourados com um diferencial a mais e prometem dinheiro para a construção de casas, obras de saneamento e até mesmo a construção do Anel Viário que um dia já se chamou Perimetral Norte e por onde já se escoaram alguns milhares de reais.

No silêncio, alheios ao fervor da nova onda de escândalos que ameaça Brasília, e talvez embalados pelo pique acelerado do prefeito Ari Artuzi, que prefere ignorar o que se passa a mais de três metros dele, empresários e investidores locais também aproveitam o momento de empolgação e preparam uma verdadeira enxurrada de novos investimentos no setor imobiliário e hoteleiro.

Na verdade, são investimentos com recursos captados do próprio Governo, aproveitando a investida não menos otimista do presidente Lula, que tem emitido ordens expressas no sentido de que os setores administrativos não barrem o crescimento, e com isso linhas de crédito e novos canais de financiamento se abrem. Tudo isso aliado à perspectiva de que o País precisa fazer girar o dinheiro, movimentar o segmento produtivo e estimular o consumidor a continuar gastando.

Repete-se aqui a máxima de que “é melhor pingar do que secar”, traduzida para o economês como o incentivo oficial para que as pessoas continuem comprando, nem tanto quanto gostariam ou poderiam, mas o suficiente para que o mercado continue gerando e produzindo divisas, e espantando o espectro da crise.

criado por Cl�vis de Oliveira    19:25:52 — Arquivado em: Sem categoria

28/6/09

Dona Gilda vê o PT juntar os cacos

Foi um verdadeiro arrastão. A direção do PT estadual conseguiu juntar, na enorme mesa formada durante o seminário realizado sexta-feira em Dourados, todas (mesmo!) as tendências internas que o partido conseguiu criar e recriar ao longo desses 29 anos de existência. E, em princípio, conseguiu outra proeza: colocar Delcídio e Zeca lado a lado, cochichando muito, ouvindo os discursos de “união” da companheirada e jurando amor eterno.

Na primeira fila do plenário onde se amontoavam os militantes de Dourados e região, que não hesitaram em puxar o bordão “partido, é dos trabalhadores!” quando Delcídio chegou, atrasado devido ao mal tempo, e foi logo abraçar Zeca, a ex-primeira-dama estadual Gilda Maria não perdeu a chance de abrir um sorriso. Enigmática apenas foi a piscadela que lançou, pra poucos perceberem, em direção do marido, que retribuiu com um leve sorriso e em seguida fechou a cara.

O que será que a dona Gilda sabe, depois de tantas conversas e tantas viagens, e até uma noitada de carnaval na Sapucaí com o casal Marisa e Lula, que valeu esse piscar de olhos enigmático em direção do ex-governador? Seria possível tentar adivinhar? Vejamos: ao piscar para o marido, ela poderia estar dizendo “até que enfim, conseguimos nossos objetivo”, ou “deixa eles pensarem que tá tudo certo”, ou ainda “isso mesmo Zeca, abraça, conversa, depois a gente vê como vai ficar”.

A verdade é que antes do mês de maio do ano que vem o PT ainda vai ter muitas idas-e-vindas, até definir como fica a sucessão. Enquanto isso, aposta num eventual racha do bloco governista para tentar encontrar um André fragilizado na disputa do Governo. Da mesma forma, o atual governador atira pra todo lado, mas não deixa de mostrar que, se o PT conseguir mesmo juntar todos os cacos, terá uma disputa difícil pela frente.

criado por Cl�vis de Oliveira    13:17:04 — Arquivado em: Sem categoria

22/6/09

André joga água fria em projeto de aliados rebeldes

Como já se previa, e para refrescar a memória os amigos do blog podem rever aqui um comentário feito ainda em meados do segundo semestre de 2008 - clovisdeoliveira.blog.terra.com.br/2008/10 - o governador André Puccinelli passou como um meteoro pelas pretensões do já quase nati-morto bloco criado nesta segunda-feira pelos dirigentes do PSDB, PPS e DEM, aliados dele e ameaçando agora um ato de rebeldia.

Tanto que os líderes nacionais, acostumados com o conflito da política praticada em escala maior, nem se arriscaram a “lançar” os nomes de Marisa e Murilo como a dobradinha ideal do tal “BDR” (cá pra nós, sigla que parece mais com marca de freio de carro!) para o Governo do Estado e o Senado. Se a intenção era pressionar o governador do PMDB, este preferiu avisar que o PT é sim o adversário em potencial.

E que fique claro, mais uma vez, se alguém acha que o governador teme o tal “BDR” (brrrrr), é bom saber que o que ele mais queria mesmo era que a senadora botasse a cara na candidatura ao Governo. E que, se não conseguir convencer a madrinha Dilma da aliança PMDB-PT no Estado, muito mais pelas pecualiaridades locais de Mato Grosso do Sul, o ideal seria mesmo que houvessem três chapas.

Quanto aos eleitores de Dourados, é bom ir se preparando para escolher uma chapa ao Senado que tenha mais ousadia e a coragem pregada pelo prefeito Ari Artuzi. Do contrário, ficaremos a esperar para 2014, quando o próprio Artuzi já avisou que vai montar o cavalo da única vaga, justamente da própria Marisa que termina o mandato de senadora naquele ano.

criado por Cl�vis de Oliveira    19:37:58 — Arquivado em: Sem categoria
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