A notÃcia, como dever de quem atua nessa área, e como direito de quem busca a informação detalhada no dia-a-dia, deve vir sempre acompanhada de responsabilidade, bom senso, e, sobretudo, a tão propagandeada ética profissional prescrita pelos neo e jornalistas ao longo dos cansativos e enfadonhos debates que agora se procura travar, especialmente nos finais de tarde, sobre quem está ou não praticando o “melhor” jornalismo.
Faço essa introdução para lembrar a cobertura que vem sendo feita pela imprensa de Dourados, Mato Grosso do Sul e pelo Brasil afora em torno dos últimos acontecimentos envolvendo personalidades do mundo polÃtico e empresarial com as investigações da chamada operação “Owari” desencadeada pela PolÃcia Federal, respaldando ações da Justiça estadual.
Afinal, sob qual interesse a conceituada “Folha de S. Paulo” e o não menos renomado “Terra” usariam como manchete situações envolvendo ex-figuras do campo polÃtico estadual, associando-os aos novos fatos? E por quais razões a imprensa regional estaria agora, talvez um pouco retardamente, reproduzindo gravações já consideradas “segredos de justiça”, e ainda assim temerosamente omitindo o quem, elemento principal dos fatos?
É preciso considerar que a função destinada aos jornalistas deve se basear, fundamentalmente, nos fatos que estão sendo colocados como fator de investigação e, obviamente, na capacidade de discernimento de quem exerce a profissão. Até porque o ilustre jornalista Nilson Lage, professor titular da cadeira na Federal de Santa Catarina, já disse - e foi em Dourados, durante palestra aos acadêmicos do curso de Jornalismo - que a nossa missão é a de “ver, ouvir e contar”.
Por isso mesmo, para que seja possÃvel contar o que se viu e ouviu, é preciso, antes de mais nada, muito mais competência do que um simples canudo. Assim, de nada adianta vir agora reproduzir cópias de fatos sabidamente ocorridos ao longo de um tempo simplesmente porque se pretende ou obter vantagens futuras, ou meramente se redimir de omissões de outrora.
Basta ver o reflexo da dimensão que se pretende dar, agora, ao mais recente episódio envolvendo os considerados homens-chaves do momento, em contraposição aos não menos ilustres episódios já noticiados, e com bem menos alarde, em tempos recentes. De qualquer forma, é preciso destacar que a imprensa ganha e aprende - ainda que resista em apreender diante dos fatos - a cada novo acontecimento.