Meus palpites

Comentários, análises e opiniões do jornalista Clóvis de Oliveira

20/12/06

Tantas datas para se comemorar um aniversário

Se a data de comemoração do aniversário de Dourados fosse no dia 10 de abril será que haveria essa mesma disputa, como vem ocorrendo nos últimos anos, para que os estabelecimentos comerciais permanecessem ou não com as portas fechadas, em respeito ao feriado? Esse é um questionamento que deveria ser feito, também em respeito ao legado histórico.

 

Pelo menos parte das pessoas que leram algo do que contém o livro “Dourados, seus pioneiros, sua história”, por sinal escrito pelo atual presidente do Centro Cívico 20 de Dezembro, o advogado Rozemar Mattos Souza, publicado em dezembro de 2005, como parte das comemorações dos 68 anos de criação do município, gostariam de ver sanada essa dúvida.

 

Isto porque, conforme o próprio pesquisador, líder da tradicional família que contesta a abertura do comércio, também em função da existência de uma lei municipal que fixa o dia 20 de dezembro como feriado, as primeiras citações do nome “Dourados” ocorrem ainda nos primórdios do ano 1900, com a criação das então paróquias, depois distritos e até à designação dos juizes de paz que se constituíam, à época, nas principais autoridades de um determinado lugar.

 

Vejam, por exemplo, uma data histórica: 10 de abril de 1900, dia em que foi editada a Resolução estadual 255, assinada pelo coronel João Paes de Barros, então vice-presidente do Estado de Mato Grosso, e que criava, entre outros dispositivos, as paróquias de Ponta Porã e Bela Vista, “compreendendo os limites dos distritos policiais de Dourados e Ponta Porã”.

 

Ou ainda: 15 de junho de 1914, data em que foi editada a Lei 658, assinada pelo doutor Joaquim Augusto da Costa Marques, à época presidente do Estado de Mato Grosso, criando os distritos de Paz no município de Ponta Porã abrangendo “os primeiros e segundo distritos policiais de Dourados, com sede no Patrimônio de Dourados”.

 

Querem outra data histórica? Então vamos lá: 2 de julho de 1915, dia em que foi instalada a Escola Primária Mixta do Patrimônio de Dourados no então território da Vila de Ponta Porã.

 

Depois de conseguir vários avanços em termos de infra-estrutura e quando já contava com “15 mil almas”, conforme o registro habitacional da época constante do decreto número 30, assinado pelo governador Mário Corrêa, do Estado de Mato Grosso, só no dia 20 de dezembro de 1935 é que o então distrito de Dourados foi elevado à condição de Município. De acordo com o decreto, Dourados se destacava naquele ano pela exportação em grande escala de erva-mate, gado e cereais.

 

Ah, só mais uma data: 22 de janeiro de 1936, dia em que foi instalado oficialmente o município de Dourados e empossado o primeiro prefeito, coronel João Vicente Ferreira, nomeado pelo ato 734 de (opa, outra data histórica!) 24 de dezembro de 1935, assinado pelo então presidente do Diretório Coligado, coronel Firmino Vieira de Mattos, que posteriormente viria a ser o presidente do PSD (Partido Social Democrático), uma das mais fortes e influentes siglas políticas do começo da nossa história.

 

Então, senhores, se o problema todo reside no dia 20 de dezembro, cinco dias apenas distante da principal data de paz, amor e fraternidade em função do Natal de Cristo, não é nada coerente que a lei seja rasgada por falta de alternativas históricas. Datas existem às dezenas. Resta saber se alguém se habilitaria, em tempos de shopping center de cá e provocações promocionais do shopping de lá, mexer nesses números.

 

Por enquanto, um bom dia de feriado, bom trabalho e que o espírito do Menino Deus possa iluminar corações e mentes para os próximos anos.

criado por Cl�vis de Oliveira    11:11:04 — Arquivado em: Artigos

1/3/06

O Senado deve ser mesmo melhor que o paraíso!

Clóvis de Oliveira

Já dizia o professor Darcy Ribeiro, o imortal companheiro do líder Leonel Brizola durante décadas da história do Brasil: “O Senado é melhor do que o paraíso!”. Ribeiro morreu em 1997, não sem antes ter tido a oportunidade de experimentar deliciosos sete anos daquele pedacinho do céu, todo forrado por um espesso tapete azul. Aliás, se alguém mereceu essa chance foi ele, depois de ter criado – para ficar em apenas um exemplo – a Universidade de Brasília, no início da década de 60.

Talvez seja a partir dessa constatação do professor que muitos dos nossos políticos atuais estejam tão empenhados em disputar a única vaga do terço renovável a cada quatro anos do Senado da República. O Brasil vai escolher este ano 27 novos representantes para integrarem a chamada Câmara Alta do Congresso Nacional onde, em última análise, se decide grande parte dos destinos da população.

Só em Mato Grosso do Sul, para realçar o fascínio que o cargo exerce, querem a vaga do atual senador Juvêncio da Fonseca, agora decidido a ser deputado estadual no projeto andrezista [relativo ao ex-prefeito de Campo Grande, André Puccinelli] de sucessão estadual o deputado Murilo Zauith, a vice-prefeita de Campo Grande Marisa Serrano, o vice-governador Egon Krakhecke, o deputado estadual Londres Machado e, de quebra, o atual governador José Orcírio.

O Senado é uma casa de muitas histórias. Desde quando, em 1840, instituiu a maioridade ao príncipe regente D. Pedro II, proclamando-o imperador aos 14 anos de idade, muita coisa já se decidiu pelo voto e até no tapa entre os membros daquele Parlamento. O ex-prefeito de Dourados, Braz Melo, que nunca conseguiu sequer almejar essa chance, cita uma única razão para destacar a importância do cargo: o endereço de e-mail e o celular de uso pessoal do senador está agendado no aparelho do presidente da República!

Mas, então, se é assim tão importante essa função, ela não deveria ser tratada com o respeito e a singeleza exigidos pelo cargo? E não servir de moeda de troca em períodos pré-eleitorais, como os atualmente vivenciados pela curta história de 28 anos de Mato Grosso do Sul.

Afinal, quando o governador José Orcírio fala que quer o Senado, mas que decidiu arquivar o projeto por ora, ele está apenas abrindo o mercado de apostas que, ao fim, poderá dar-lhe exatamente de “presente” a vaga no Senado. Nessa articulação, consegue envolver aliados e adversários, como Egon e Londres, que se sentem tentados a experimentar o gostinho e aguardam com expectativa essa chance, e Murilo e Marisa, dispostos a usarem todos os naipes do baralho para não sair do jogo.

Enquanto isso, entre denúncias de corrupção, sonegação fiscal e operações silenciosas pelos bastidores, correm os rumores de que tudo já está devidamente acertado na cúpula, e só falta comunicar ao incauto eleitor a partir de julho.

Ah, também são muitos os que pensam que, se somam pelo menos cinco os pretendentes à única vaga aberta para este ano, porque não aguardar 2010, quando se abrem dois terços, e no caso de Mato Grosso do Sul vão vagar os cargos dos senadores Ramez Tebet e Delcídio do Amaral?

Talvez seja porque, na matemática política, um seja maior que dois.

Daqui a quatro anos, além dos atuais postulantes, também estarão no páreo Celina Jallad, Simone Tebet, Waldemir Moka, João Grandão, Reinaldo Azambuja, Laerte Tetila, Roberto Orro, sem contar o direito que podem reivindicar os atuais titulares da vaga e ainda André Puccinelli e os que ficarem de fora pelo voto direto de 1º. de outubro deste ano.

Perceberam como deve ser mesmo maravilhoso ser senador?

 

 

 

criado por Cl�vis de Oliveira    13:54:09 — Arquivado em: Artigos
Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://clovisdeoliveira.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o serviço e siga participando do Terra Blog.