29/1/09
Acomodando as abóboras pelo meio do caminho
Há um ditado popular, usualmente repetido pelos homens do campo, que a carga levada nas carroças, costumeiramente de produtos retirados da agricultura e que acabam compondo a mesa dos homens da cidade, precisa de um certo tempo para se acomodar. Assim, um carregamento com determinado número de abóboras, por exemplo, que lotaria uma carroça no inÃcio do trajeto, pode chegar no meio da estrada ocupando apenas metade do veÃculo. Isso ocorre em razão dos solavancos da estrada de terra, o gingado da carroça e também em função da “paciência” do homem que trabalha muito mais esperando pelas “ordens superiores” para se obter ou não uma boa colheita a cada safra.
O exemplo dado pode servir como comparativo para os primeiros trinta dias da nova administração que assumiu a prefeitura de Dourados após os oito anos do paciente mandato do prefeito Laerte Tetila, a quem se imputam agora a maior parte dos ônus pela dificuldade em se começar de fato a atual gestão. O impaciente Ari Artuzi procura manter o ritmo acelerado, buscando atender aos anseios populares no melhor estilo “me chama que eu vou” que o credenciou para chegar ao comando do MunicÃpio reforçado pelo apelativo “ajuda eu” que agora passa a ser muito mais implorado por onde passa a comitiva oficial.
Desapegado ao cumprimento de agendas, o prefeito recém eleito acabou chegando a secretário-geral da Associação estadual de prefeitos, a Assomasul, apesar de nunca ter chegado em tempo para nenhuma das assembléias [nem a da eleição e muito menos na posse dos eleitos], porém faz questão de manter o gosto pelo povo. Assim, a cada intervalo de uma reunião na prefeitura, pede aos assessores que mandem entrar as pessoas que o aguardam pelos corredores. “Chamem o povo, eu gosto é do povo”, repete sempre, para irritação daqueles que diziam ter o melhor sentimento popular e acabaram atropelados pelo efeito fenômeno.
Entre jogadas de um marketing reprisado de outros exemplos melhor sucedidos, Artuzi já “repreendeu” médicos que chegam atrasados no serviço, “caça” servidores pelos corredores das repartições municipais e “assusta” eventuais não eleitores com um recado direto: aqui mando eu! Nesse ritmo, já existe até uma bolsa de apostas sobre o tempo de durabilidade no cargo dos assessores diretos do novo prefeito. O efeito abóbora está em franco desenvolvimento.
criado por Cl�vis de Oliveira
21:32:06 — Arquivado em: 
