31/12/07
Depois de navegar em águas cristalinas durante todo o primeiro ano de mandato, o governador André Puccinelli deveria ficar mais atento ao que vem por aí com a chegada do ano eleitoral de 2008. Um frente anti-expansão do poder de fogo que ele consegue ostentar por onde passa está se articulando, e justamente a partir de Dourados.
Nos últimos dias vem crescendo os comentários de que "se o André conseguir reeleger o Nelsinho [Trad, em Campo Grande] e emplacar o próximo prefeito de Dourados, ninguém segura mais ele". Essa onda tem alimentado o surgimento de focos de reação por parte de atuais aliados do governador, já de olho inclusive na própria sucessão do italiano.
E é justamente nessa articulação que se encaixa o "instrumento" Ari Artuzi. Fenômeno eleitoral da última eleição para deputado estadual, o gringo, como diria o cururu Cícero Faria, é tido como a melhor arma para contemplar os interesses de figuras exponenciais, como Leite Schimidt, Ary Rigo, Londres Machado, Zeca do PT, dentre outros tantos que não gostariam de ver a hegemonia andrezista se espalhando pelo Estado afora.
Assim, 2008 começa com cheiro de vale-tudo… Ainda que as definições só venham a se consumar após o carnaval, dá pra antever que teremos um ano interessante, especialmente sob o ponto de vista dos bastidores, porque na prática tem muita gente que prefere e até se sente contemplada com o engodo, a enganação.
Enquanto isso, graças pelo que obtivemos em 2007 e boa semeadura para a colheita de 2008!
25/12/07
Feliz Natal? Por que será que todos dizem isso? É porque a mesa está sempre farta, as garrafas começam sempre cheias, as pessoas se produzem mais, trocam presentes, vão até à missa! Certamente que não se resume a apenas esses pormenores…
O final do ano mais uma vez é marcado pelas projeções de mercado - vamos ou não crescer no PIB mundial? - e pelas estatísticas cada vez mais precisas - a mais recente, inclusive, mostra que as pessoas, especialmente as crianças, estão preferindo ganhar comida em vez de presentes materiais no período do Natal.
Por isso mesmo, é bom que 2008 venha marcado pela preocupação com a geração de emprego, criação de alternativas para produção de riquezas e mais compromisso com a justiça. Ano eleitoral que não pode simplesmente ser analisado sob o ponto de vista do voto. Mas, essencialmente pela responsabilidade com a mesa do cidadão nos outros dias que não sejam dia de Natal.
15/12/07
Não foi um D-8, o trator considerado peso pesado que costuma ser visto em grandes obras, ou mesmo em grandes áreas de desmatamento que têm provocado o chamado aquecimento global que muitos ainda não conseguiram captar…
Mas foi o D-25, a nova e até mais simpática denominação aprovada no último congresso nacional do Democratas - talvez até para se livrar da pecha do "demo" que aterrorizou a nova fase do DEM - que acabou de vez com o sonho de alguns administradores diante da hipótese de coincidência de mandatos a partir de 2010, com a imediata prorrogação dos atuais por dois anos.
A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 211/1995, de autoria do deputado José Janene, do PP/PR (alguém ainda se lembra do histórico desse cidadão?), que estabelecia todos os mandatos em cinco anos, foi retirada da pauta no mês passado a pedido do deputado Antônio Carlos Magalhães Neto, do Democratas/BA, exatamente o netinho predileto do "rei" ACM.
Então, preparem as fichas senhores (ou as armas como bem gostariam alguns…). Vem aí um embate que pode se tornar histórico. Titãs do capital e do voto estão estudando o jogo, enquanto alguns pequenos se assanham na iminência de uma eventual, e ainda não descartada, reviravolta na estampa dos candidatos que estarão se submetendo ao referendo popular de outubro do ano que vem.
8/12/07
A par do debate em torno da sucessão municipal do ano que vem em Dourados - e a regra não deve ser muito diferente nos demais municípios brasileiros - é preciso observar o quantitativo que estará se formando em torno das candidaturas majoritárias para se qualificar o alcance da abrangência da proposta dos candidatos a prefeito.
A análise, que não é apenas minha, começa a circular com mais ênfase nas rodas de política. As pessoas querem saber qual dos candidatos a prefeito, dentre os que têm revelado essa disposição, vai conseguir agregar o maior número de candidatos a vereador na chapa. Esse "exército" seria, a grosso modo, decisivo para alavancar a proposta majoritária.
E a história nos mostra, no caso especial de Dourados, que determinada candidatura a prefeito pode perfeitamente naufragar no meio do caminho se o contingente de candidatos a vereador não estiver suficientemente contemplado ao longo da campanha eleitoral. Aqui também é onde se dá o mais elevado índice de migração.
Resumindo: O candidato a prefeito que não conseguir um bom time de candidatos a vereador, e sobretudo não "segurar" esse time até o final da disputa, pode até ser o bam-bam-bam dos votos, mas dificilmente conseguirá chegar a bom termo nesse projeto.