Se a data de comemoração do aniversário de Dourados fosse no dia 10 de abril será que haveria essa mesma disputa, como vem ocorrendo nos últimos anos, para que os estabelecimentos comerciais permanecessem ou não com as portas fechadas, em respeito ao feriado? Esse é um questionamento que deveria ser feito, também em respeito ao legado histórico.
Pelo menos parte das pessoas que leram algo do que contém o livro “Dourados, seus pioneiros, sua história”, por sinal escrito pelo atual presidente do Centro Cívico 20 de Dezembro, o advogado Rozemar Mattos Souza, publicado em dezembro de 2005, como parte das comemorações dos 68 anos de criação do município, gostariam de ver sanada essa dúvida.
Isto porque, conforme o próprio pesquisador, líder da tradicional família que contesta a abertura do comércio, também em função da existência de uma lei municipal que fixa o dia 20 de dezembro como feriado, as primeiras citações do nome “Dourados” ocorrem ainda nos primórdios do ano 1900, com a criação das então paróquias, depois distritos e até à designação dos juizes de paz que se constituíam, à época, nas principais autoridades de um determinado lugar.
Vejam, por exemplo, uma data histórica: 10 de abril de 1900, dia em que foi editada a Resolução estadual 255, assinada pelo coronel João Paes de Barros, então vice-presidente do Estado de Mato Grosso, e que criava, entre outros dispositivos, as paróquias de Ponta Porã e Bela Vista, “compreendendo os limites dos distritos policiais de Dourados e Ponta Porã”.
Ou ainda: 15 de junho de 1914, data em que foi editada a Lei 658, assinada pelo doutor Joaquim Augusto da Costa Marques, à época presidente do Estado de Mato Grosso, criando os distritos de Paz no município de Ponta Porã abrangendo “os primeiros e segundo distritos policiais de Dourados, com sede no Patrimônio de Dourados”.
Querem outra data histórica? Então vamos lá: 2 de julho de 1915, dia em que foi instalada a Escola Primária Mixta do Patrimônio de Dourados no então território da Vila de Ponta Porã.
Depois de conseguir vários avanços em termos de infra-estrutura e quando já contava com “15 mil almas”, conforme o registro habitacional da época constante do decreto número 30, assinado pelo governador Mário Corrêa, do Estado de Mato Grosso, só no dia 20 de dezembro de 1935 é que o então distrito de Dourados foi elevado à condição de Município. De acordo com o decreto, Dourados se destacava naquele ano pela exportação em grande escala de erva-mate, gado e cereais.
Ah, só mais uma data: 22 de janeiro de 1936, dia em que foi instalado oficialmente o município de Dourados e empossado o primeiro prefeito, coronel João Vicente Ferreira, nomeado pelo ato 734 de (opa, outra data histórica!) 24 de dezembro de 1935, assinado pelo então presidente do Diretório Coligado, coronel Firmino Vieira de Mattos, que posteriormente viria a ser o presidente do PSD (Partido Social Democrático), uma das mais fortes e influentes siglas políticas do começo da nossa história.
Então, senhores, se o problema todo reside no dia 20 de dezembro, cinco dias apenas distante da principal data de paz, amor e fraternidade em função do Natal de Cristo, não é nada coerente que a lei seja rasgada por falta de alternativas históricas. Datas existem às dezenas. Resta saber se alguém se habilitaria, em tempos de shopping center de cá e provocações promocionais do shopping de lá, mexer nesses números.
Por enquanto, um bom dia de feriado, bom trabalho e que o espírito do Menino Deus possa iluminar corações e mentes para os próximos anos.