24/11/06
O nome do governador Zeca do PT passou a ser cotado nos últimos dias para ser designado como provável embaixador do Governo brasileiro na República do Paraguai, assim que entregar o mandato em Mato Grosso do Sul ao governador eleito André Puccinelli.
Zeca bem que tentou se insinuar como um provável ministro do futuro Governo Lula, mas há impedimentos de ordens éticas e aliancistas que estariam impedindo essa articulação. A mais recente é a proximidade do PMDB estadual ao PT nacional.
Por mais que esteja disposto a ajudar a garantir a governabilidade, e mais ainda, disposto a se beneficiar com uma virtual renegociação da dívida dos Estados com a União, André certamente também tem dado uma mãozinha para diminuir a influência de ex-adversários no Poder central.
Além disso, já basta o nome de Egon Krakhecke, cada vez mais perto de assumir o comando nacional do Incra, para refletir a representatividade dos petistas de Mato Grosso do Sul em Brasília.
18/11/06
A morte do senador Ramez Tebet, único político que conseguira, até agora, a façanha da reeleição pelo Estado nessa condição, além de também já ter sido ministro e até presidente da mais alta Casa legislativa do País, abre oficialmente em Mato Grosso do Sul a disputa para as duas vagas que deverão ser preenchidas nas eleições de 2010, a se manter o atual sistema eleitoral.
O suplente dele, que deve assumir nos próximos dias, ex-deputado e ex-secretário estadual de Educação no último Governo de Wilson Martins, Walter Pereira de Oliveira, certamente é candidatíssimo à reeleição. E o próprio Martins ficaria muito satisfeito em vê-lo como herdeiro político vitorioso.
Acontece que o futuro governador André Puccinelli teria mais apreços ainda se o senador eleito daqui a 4 anos fosse o amigo Waldemir Moka, o mais votado da coligação dele na última campanha da reeleição para deputado federal. Na espreita, dentro do mesmo grupo, estão Reinaldo Azambuja, tucano que começa a sonhar alto depois de ter sido o bam bam bam dos votos para deputado estadual e até Waldir Neves, noviço deputado federal, com menos chances mas disposto a entrar na confusão para que a vaga fique em casa.
Sem falar em Delcídio do Amaral, que deve buscar a reeleição, Zeca do PT, que precisa voltar à cena nacional de alguma forma, Murilo Zauith, do PFL, que sonha dia e noite com o luxuoso salão azul, e tantos tais que podem vir a despontar até lá…
12/11/06
Incomodado com a dívida estimada de R$ 6 bilhões - menor do que a prevista por ele mesmo há menos de um ano, superior a R$ 7,8 bilhões -, o governador eleito André Puccinelli (PMDB) já começa a dar sinais de que vai mesmo conduzir o Governo com mãos de ferro a partir de janeiro, ao mesmo tempo em que sinaliza com lampejos de compartilhamento.
Nesse sentido, o estilo dele aponta sinais de boa convivência com o vice-governador eleito Murilo Zauith (PFL), a quem já delegou poderes para comandar a equipe de transição. Conciliador por natureza, mas não menos rígido na tomada de decisões, Murilo é o interlocutor do futuro Governo com o porta-voz do atual na transição, o secretário Raufi Marques, que sempre teve livre trânsito a ele, desde os tempos em que também foi do PFL.
Ao anunciar medidas aparentemente impopulares, como o corte dos programas sociais, André vai jogando a linha ao rio para detectar o tamanho e a espécie do peixe que pode vir a ser fisgado. Passo seguinte, acena com parcerias de distribuição de verbas entre os parlamentares do Estado e os municípios que venham a ser beneficiados.
Preliminarmente, é possível vislumbrar um começo de Governo com poucas realizações, muito aperto financeiro e muita, mas muita mesmo, cobrança por parte daqueles que quando estão fora do poder têm habilidades para incomodar o governante do momento.
5/11/06
Do alto dos 36.960 votos obtidos para a reeleição de deputado estadual em Mato Grosso do Sul (31.342, equivalente a 30,32% dos votos válidos, apenas em Dourados), o ex-aprendiz de marceneiro e serralheiro Ari Artuzzi já prepara vôo mais ousado.
Esta semana, entre uma buzinada e outra do carro que não se cansa de rodar por todos os cantos desta cidade, o deputado foi visto entrando na residência do ex-prefeito Braz Melo, que administrou Dourados por dois mandatos (1989/92 e 1997/2000).
Como se sabe, depois de ter passado o bastão para Humberto Teixeira (1993/96) e ter sido vice-governador na primeira metade da gestão de Wilson Martins no Estado (1995/96), Braz tem passado os últimos anos apenas analisando o quadro.
E, com certeza, não vai ser apenas aos conselhos dele que o "fenômeno" Artuzi vai recorrer daqui até 2008.