31/10/06
Três membros de um mesmo partido, o PMDB, conversam em roda de política. Felizmente, o cenário é típico de véspera de eleição, porque se fosse no dia seguinte seria difícil imaginar com quem estaria falando ao telefone o único futuramente vitorioso da roda.
André Puccinelli, que ganhou a disputa ao Governo de Mato Grosso do Sul, fala ao telefone, observado por Marçal Filho e Eduardo Marcondes, derrotados respectivamente a deputado federal e estadual.

E agora, se a cena se repetisse, para quem estaria ligando o governador eleito na hipótese de pelo menos estar cogitando uma saída honrosa aos perdedores ???
28/10/06
Em política existe uma coisa que se chama gratidão. E, embora muitos políticos prefiram ignorar essa questão, o que se sabe é que aqueles que souberam conjugar essa terminologia acabaram por colher bons frutos na trajetória.
É o caso do PMDB governista, formado pela turma que preferiu lá atrás apear do barco comandando pelo bom e velho Ulysses Guimarães e que agora vislumbra a oportunidade de dar as cartas em um eventual segundo mandato do presidente Lula…
Aqui em Mato Grosso do Sul também não é diferente. Levado ao mais alto posto de deputado federal mais votado, ainda na década de 80, o governador eleito André Puccinelli não esquece da força que recebeu do ex-cacique Wilson Martins e agora, com certeza, já se aconselhou com ele pra tomar as primeiras medidas a partir de janeiro.
20/10/06
A semana termina com mais uma polêmica protagonizada pelo governador em fim de carreira no Mato Grosso do Sul. Em campanha para fazer jús à participação do PT estadual na campanha de Lula a presidente do Brasil, Zeca passou por Dourados repetindo o discurso contra os fazendeiros.
Nem é preciso ser muito bom de memória para recordar que, há oito anos, Zeca era o queridinho desses mesmo fazendeiros que não suportavam mais a política de arrocho fiscal do Governo Wilson Martins. Foram os fazendeiros que o levaram para o segundo turno, deixando o Bacha [Ricardo, ex-secretário de Fazenda e Obras daqueles tempos, e que agora também não conseguiu ser eleito deputado estadual] lá embaixo…
Por isso, agora, não é de estranhar que, jogando pra torcida - e aproveitando a modorrenta campanha deste segundo turno que ninguém aguenta mais - Zeca arremeta contra os seus eleitores do passado, e escolha o ex-senador Lúdio Coelho como alvo preferido. Até porque Lúdio já não incomoda mais ninguém politicamente e segundo, se alguém acha que o nosso quase ex-governador vai virar ministro da Reforma Agrária é porque, decididamente, não conhece as engrenagens internas do comando petista.
Quem manda na questão da terra neste Governo são os capos do MST, da Pastoral da Terra, da CUT, da Agricultura Familiar e de outros segmentos de ex-excluídos. E daí a eles aprovarem a escolha de Zeca…
12/10/06
Apesar de todo o falatório, especialmente nas rodinhas políticas, o chamado lobby que vem sendo feito nos bastidores pelos partidários de alguns candidatos bem votados, porém derrotados, nas eleições passadas, ainda não conseguiu produzir os efeitos esperados junto aos vencedores da disputa de 1 de outubro.
Por aqui, o que se ouve é que o suplente de deputado federal Marçal Filho (PMDB) já estaria preparando as malas para retornar a Brasília a partir de uma acomodação de alguns dos eleitos da coligação vitoriosa do governador André Puccinelli no futuro primeiro escalão da Administração estadual.
A mesma conta fazem os perdedores da disputa regional, porém de forma mais ousada: esperam que Lula ganhe a disputa presidencial no segundo turno e promova um arranjo aos moldes do primeiro mandato, contemplando perdedores localizados. É a esperança até para que o deputado João Grandão (PT) escape da cassação.
Por enquanto, revelando afinidades muito mais íntimas com o quase ex-Zeca do PT, André prefere pescar no Pantanal a dar ouvidos a tantas especulações. Na cozinha do futuro governante, o que se sabe é que ainda não se cogita agradar perdedores, até porque o exemplo das urnas deve servir pelo menos como reflexão para quem ganhou de que o cidadão-contribuinte espera muito mais do que apenas troca de cadeiras.
6/10/06
As recentes desavenças envolvendo partidários de um mesmo lado, em Dourados, não são muito diferentes do que está acontecendo no resto do País. São os chamados "restos" de campanha, ou seja, quem ganhou ainda pode falar em vitória política, mas quem perdeu, ou ganhou por pouco, e, por conseqüência, pode acabar não levando, aproveita a ocasião para cobrar a fatura.
O que se vê por aqui, quando assessores do prefeito Laerte Tetila (PT) se estranham às portas do gabinete do vice Albino Mendes (PL), nada mais é do que o ensaio de uma disputa antecipada para 2008 em que os dois partidos estão predispostos a se enfrentar pela cadeira principal da nova sede da Prefeitura.
Por isso mesmo, é até compreensível quando o deputado derrotado João Grandão manifeste a sua ira contra a ação "pífia" - fazendo eco ao choro do também derrotado Delcídio do Amaral - que teve o prefeito Tetila nessa campanha. E há que se compreender também quando o secretário Ermínio Guedes, homem-forte do Governo municipal, cobre mais espaços para o grupo de Egon [que perdeu o Senado por 456 - número da vitoriosa Marisa Serrano na urna eletrônica - mil e poucos votos] na linha de frente da atual Administração.
Agora é esperar pra ver que tipo de reforma o prefeito Tetila pretende oferecer aos companheiros de Governo. Ou contempla o derrotado deputado federal ou começa a afagar o preferido para ocupar a vaga dele nas próximas eleições…
4/10/06
Apesar da campanha, ainda que apócrifa, que foi feita nos últimos dias do período da propaganda eleitoral em Dourados, recomendando que as pessoas não votassem em candidatos de fora, pelo menos 16.365 votos contabilizados pelo blog, considerando apenas os candidatos com mais de 100 votos, foram dados aos chamados "forasteiros" que disputaram uma vaga para a Câmara Federal.
Esse número é superior ao total de votos obtido pelo único candidato a deputado federal reeleito no município, o médico Geraldo Resende, do PPS, que recebeu 16.272 manifestações.
Contribuíram para essa situação, por exemplo, Vander Loubet (3.025) e Antônio Carlos Biffi (1.161), ambos do PT, Dagoberto Nogueira (1.671) do PDT, Vanderlei Cabeludo (1.606), Nelson Trad (1.149) e Pastor Reginaldo (1.095), todos do PMDB e ainda Waldir Neves (1.309) pelo PSDB.
Diante dessa realidade, constata-se também que os douradenses que não buscaram outros colégios eleitorais acabaram ficando de fora. Logo…
2/10/06
Se a maior expectativa do povo brasileiro era pela chegada de 1º de outubro, como forma de transformar em votos e em alguns casos até em protestos o sentimento por tudo o que se viu ao longo deste ano, é verdadeiro então observar agora que, apesar de ainda haver outra eleição, já podemos começar a pensar no que se vai querer de Natal.
Para alguns, o simples fato da Nação ter se livrado de alguns sanguessugas já foi um presentão. Para outros, a eleição de quem parecia sem chances… Tem até quem já se sinta contemplado apenas pelo fato da eleição nacional não ter acabado ontem!
E, se todos estamos ansiosamente aguardando 2007, com desejos e expectativas, nada melhor do que contemplar essa foto. Curiosamente, ela apareceu em todos os jornais às vésperas das eleições, e ninguém consegue explicar a origem e há dúvidas até sobre o destino desse pacotão.

Convenhamos, taí uma boa sugestão para presente de Natal!
1/10/06
Passadas pouco mais de cinco horas do início das eleições gerais, as urnas do Brasil começam a registrar o surgimento de um país pelo menos mais sensato. O eleitor consegue se manifestar sem as pressões de outras épocas.
Daqui a pouco, ao serem abertas as urnas, começa uma outra contagem: quem ganhou e quem perdeu nessa disputa? Muitas vezes, uma expressiva votação pode significar ganho político, mas trazer uma derrota eleitoral. E vice e versa.
No plano nacional, alguns partidos deixarão de existir, justamente porque têm dificuldades em atingir os índices da cláusula de barreiras [5% dos votos nacional para deputado federal e 2% em pelo menos nove estados] e outros já pensam em novas composições.
Está nascendo aí um novo "arenão" com a junção do PMDB ao PL para as futuras eleições. E novas alterações devem ser processadas com a inevitável reforma político-eleitoral, a começar pelo fim da reeleição.