Recibos comprovando o envolvimento criminoso nas transações permitidas a quem detém a oportunidade de ocupar um cargo bem próximo do poder acabam revelando a promiscuidade em que se transformaram os corredores do Congresso Nacional.
O blog teve acesso exclusivo a alguns documentos que juntam-se aos calhamaços de papel que serão analisados pelos membros da CPMI das Ambulâncias, encarregada de apurar as ligações dos deputados com a máfia das emendas para a compra superfaturada desses veículos e chega-se a conclusão de que há excessos de todos os tipos.
O deputado João Grandão (PT/MS), um dos apontados como responsável pela distribuição de emendas no pesado e barulhento negócio da compra das ambulâncias, protocolou na defesa dele junto à Justiça do Mato Grosso, que investiga a gravidade das declarações do malandro Vedoim, um dos donos da ex-falida Planam, cópias de depósitos feitos na conta de ex-assessor, hoje figura representativa do Governo petista de Mato Grosso do Sul.

Jamil recebeu um reforço de caixa considerável na conta da Caixa
Jamil Naglis, que por um tempo foi assessor de Grandão, com livre acesso aos gabinetes de Brasília, e hoje integra o quadro administrativo do Governo Zeca em Campo Grande, recebeu em pelo menos duas ocasiões generosos depósitos em dinheiro na conta dele, na Caixa Econômica Federal.

Além disso, o lobista Francisco Machado Filho, que opera livremente pelos gabinetes suprapartidários de Brasília, esticando os tentáculos por tudo quanto é lugar onde possa escoar dinheiro público, foi contemplado com R$ 10 mil na conta do Banco do Brasil.
Como se vê, nessa podridão toda há muito mais que se apurar do que simplesmente a conduta ética ou moral desse ou daquele ocupante de cargo público. Antes de mais nada é preciso promover uma varredura geral na distribuição dos chamados "cargos de confiança" que são criados aos montes para atender interesses politiqueiros.

Sem contar que tem político que costuma contratar um sujeito por xis reais e depois só paga um terço do que prevê a nomenclatura do cargo, obrigando o dito cujo a devolver o cheque inteirinho, apenas vistado no verso, e em troca recebe uma merreca que o leva, de fato, a buscar caminhos digamos mais fáceis para complementar o salário.
Aí, quando aparece uma chance como essa de comprar ambulâncias mais caras - e uma coisa que todo prefeito gosta é de entregar ambulâncias pro povo - não há quem resista.
Muda, Brasil! (Mas não deixe de avisar o novo endereço, senão como vão sobreviver os "pobres mortais" do lobby oficial)