31/7/06
Quando se vê o candidato a governador do PMDB [André Puccinelli] prometendo radicalizar contra os sem-terra e os beneficiários dos programas sociais do atual Governo e o candidato do PT [Delcídio Amaral] evitando contatos com aliados, percebe-se que a campanha eleitoral deste ano está começando bem ao estilo das guerras de guerrilhas.
Se André fornece a munição para o adversário - ao avisar que vai cortar a ração dos sem-terra, ele provoca a ira coletiva dos acampados, índios e demais usuários dessas vantagens, e Delcídio procura valorizar o contato com a chamada elite - evitando aproximar-se demais de petistas de Dourados e desfilando suprapartidariamente em feijoada beneficente, é possível imaginar que algo de diferente vem por aí.
Atentem, então, para o chamado fato novo dos bastidores: A disputa deste ano será mais estratégica do que se imaginam alguns, e aqueles que insistem em repetir antigas práticas poderão ter surpresas.
Basta lembrar que, ao contrário de dois anos atrás, quando escondeu a estrela e o vermelho, agora o PT não foge da conversa sobre mensalão e sanguessugas e faz questão de dizer que o vermelho é a cor da moda…
26/7/06
Aviso aos navegantes, especialmente àqueles que decidiram navegar na corrente que poderia levá-los a ocupar uma das oito vagas na Câmara Federal: A assistente social Tânia Mara Garib é um dos nomes fortes nessa disputa pelo PMDB na coligação "Mais Amor, Trabalho e Fé".
Ex-secretária municipal de Ação Social durante os dois mandatos do atual candidato a governador André Puccinelli na Prefeitura de Campo Grande, Tânia Garib é a "menina dos olhos" do ex-prefeito, ao contrário do voto que ele declarou domingo em Dourados para o radialista Marçal Filho.
Nessa disputa, também aparecem os peemedebistas Waldemir Moka, agora mais aliviado porque o nome dele ainda não apareceu na lista das sanguessugas e o Tradão, como se refere o candidato a governador ao pai do atual prefeito da Capital, Nelson Trad Filho.
Se apenas o PMDB cogita eleger quatro dos oito novos federais, o PT espera manter os três (Vander Loubet, Biffi e João Grandão, apesar da lista) e o médico Antônio Cruz (PP) anda mais que lobinho para se regarantir, como fica a situação do médico-aliado do PPS, Geraldo Resende?
Ah, sem esquecer que o candidato a vice, Murilo Zauith, também tem o seu "preferido" para a vaga de Brasília: o vereador douradense Sidlei Alves.
24/7/06
Vander, com Moka e Grandão: "Falta alguém na lista?"
Já diz o ditado popular que companheiro de verdade não é aquele que aparta a briga, mas o que chega socando o adversário mais próximo. O "exemplo" do deputado Waldemir Moka (PMDB) agora coloca em níveis iguais a disputa entre André, do partido dele e o adversário Delcídio Amaral, do PT na disputa pelo Governo de Mato Grosso do Sul.
Está certo que nessa briga, pra ver quem tem mais culpa no caso das propinas para a compra de ambulâncias, o deputado João Grandão (PT) ainda leva vantagem. Só neste final de semana ele ganhou destaque em duas das principais revistas de circulação nacional - Veja e Época - com direito a foto e tudo. O azar de Moka é que ele não faz parte da base aliada!
De tudo isso, fica apenas uma lição. Que os candidatos às eleições deste ano tratem de arrumar um discurso melhor, com propostas e conteúdo, porque no campo da baixaria a eleição corre o risco de terminar empatada.
23/7/06
Atenção eleitor sul-mato-grossense: O deputado estadual Valdenir Machado, que concorre à reeleição para a Assembléia Legislativa pelo novato PRTB (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro), precisa retornar ao cargo pelamordedeus.
Basta ver a reportagem principal da edição de hoje do Campo Grande News, onde ele foi o único que até agora aparece perdendo dinheiro em função do cargo que ocupa. Segundo o online da Capital, em 2002 o patrimônio avaliado dele era de R$ 435 mil e agora, ao declarar os bens para se candidatar em 2006, registrou R$ 319 mil. Ou seja, está com um prejuizo de 26%.
A explicação do deputado, que começou atividades pela extinta Arena, foi ao PMDB, passou pelo PDT e agora está no PRTB: "O serviço notarial caiu muito [ele é dono de um cartório no distrito de Panambi em Dourados], estamos vivendo só do arroz com feijão".
21/7/06
Com exceção de Goiás e do Pará, onde o partido lançou chapa pura na disputa majoritária às eleições deste ano, o PMDB é um dos partidos com chances de se tornar o maior vitorioso nacional, dada a flexibilidade sugerida pelo comando nacional, até como forma de manter as posições hoje ocupadas nas diferentes esferas do poder.
Em Minas Gerais, por exemplo, peemedebistas do time do polêmico Newton Cardoso, que vai disputar o Senado, não pensaram duas vezes em fechar com a chapa a governador do petista Nilmário Miranda. Da mesma forma, na Bahia, o partido se contentou em indicar o vice de Jaques Wagner, até pouco tempo um poderoso ministro de Lula pelo PT.
Há situações, ainda, como em Sergipe e no Ceará, em que o partido apóia "de grátis" chapas formadas por membros do PT, PSB e do PCdoB. E no Amapá, por exemplo, apóia candidata do PDT ao governo, assim como no Acre está fechado com o PPS.
Ou seja, de todo jeito o urubu é preto… (mesmo que, conforme estudos científicos, a ave venha ao mundo na mais alva brancura)
Com pelo menos cinco cursos de ensino superior, e todos concluídos, brinquinho delicado e discreto na orelha esquerda, e sem dinheiro, definitivamente Carlito Dutra não incorpora a média do cidadão sul-mato-grossense, quiçá do brasileiro…
Carlito Dutra é, para os mais novos, o candidato do PSOL a governador de Mato Grosso do Sul. De passagem marcante pelos movimentos sociais, foi ele um dos precursores do CIMI, o Conselho Indigenista Missionário nos tempos em que esse segmento não fazia medo aos fazendeiros, mas auxiliava, e bem mais que hoje, aos índios.
É de Carlito Dutra, também, a tese sobre as ocupações de terra e a produção do Direito, instrumento com o qual concluiu um dos cursos de formação superior e cuja teoria ainda hoje orienta as ações da chamada "banda boa" do MST, o Movimento dos Sem-Terra.
"O problema maior é a falta de dinheiro pra enfrentar esse povo", resignou-se o candidato ao comentar neste blog a forma como pretende ocupar os espaços da campanha eleitoral em fase inicial. De qualquer forma, na esteira da senadora Heloísa Helena, Carlito também está a perseguir os maiorais da disputa regional.
20/7/06
Depois do aperto das principais lideranças dos partidos de oposição cobrando a transparência na divulgação dos nomes que estariam envolvidos com o suposto favorecimento na apresentação de emendas para a compra de ambulâncias, finalmente a CPI das Sanguessugas resolveu indicar um representante do PT para equilibrar a "disputa".
E o escolhido foi… o deputado João Grandão, do PT de Dourados, um dos três representantes da bancada sul-mato-grossense do partido governista. Engraçado como alguns setores esperavam outros nomes, não o de um bancário e advogado, embora não atuante nessas duas áreas há algum tempo.
Basta observar que, dos oito deputados do Estado, pelo menos três têm ligações diretas com a área da Saúde, onde obviamente deveria haver maior interesses por ambulâncias. No entanto, nem Waldemir Moka (PMDB), nem Antônio Cruz (PP) e nem Geraldo Resende (PPS), da "bancada da saúde", apareceram no listão. Pelo menos até agora.
Agora, começa a haver equilíbrio entre os partidos e, por via das dúvidas, ninguém poderá falar da vida dos outros. Afinal, todos estão enroscados…
Definitivamente, em não sendo aprovado o fim do famoso "caixa 2" durante os trabalhos da minireforma política e eleitoral, com as bençãos do Governo sobre o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a campanha deste ano deverá ser marcada pela institucionalização da compra de votos.
Quem foi ao lançamento da candidatura do deputado Murilo Zauith pelo PFL para vice-governador na chapa do ex-prefeito André Puccinelli, do PMDB, no mês passado, viu e ouviu o deputado Zé Teixeira afirmar que a campanha deste ano seria bem mais difícil que as anteriores.
"Parece que nem comprar votos será permitido mais…", chegou a discursar o deputado, que é secretário-geral do PFL no Estado e sinalizava a apreensão dos candidatos com as regras do jogo para este ano. Agora, a julgar pelo clima de silêncio entre os candidatos, alguma coisa está sendo preparada para a famosa reta de chegada.
7/7/06
A apresentação das previsões de gastos por parte dos candidatos às eleições deste ano em todo o País já traduz, como de praxe, o começo da mentira e da hipocrisia que marcam os períodos de campanha política.
Se estão proibidos bonés, chaveiros, camisetas, cestas básicas, gastos com outdoors e a chamada compra "legal" de votos, traduzida em oferecimento de vantagens pessoais, por que então a campanha deste ano está saindo tão cara?
Pior que isso são as discrepâncias. Se André [Puccinelli, do PMDB] e Delcídio [Amaral, do PT] são candidatos ao mesmo cargo, o de governador de Mato Grosso do Sul, por que o primeiro calcula que vai gastar R$ 15 milhões e o segundo "apenas" R$ 8 milhões até às eleições? Essa lógica implicaria no resultado da votação?
Intrigante essa matemática eleitoral. Resta saber se o eleitor está raciocinando de acordo com essa lógica.
6/7/06
A campanha eleitoral está começando oficialmente hoje. Mas, enquanto os partidos e candidatos definem como será a estratégia para tentar driblar as proibições impostas pelo Tribunal Superior Eleitoral, o certo é que já tem muito assessor político por aí juntando "maldades" para espalhar pelo Estado afora em forma de panfletos, alguns deles anônimos como costuma ocorrer nesses períodos.
E, como é hábito e usual na linguagem futebolística, mais uma vez teremos uma campanha em que as partes vão recorrer ao jogo baixo para mostrar a competência com que pretendem chegar ao poder. Conhecendo o perfil dos contendores, e a sanha de alguns assessores mais afoitos, dá pra imaginar o que vem por aí.
A propósito, não deve ter sido a toa que o senador Delcídio recorreu a um vice ungido pela Igreja Católica, o deputado Sérgio Assis, também como o candidato a governador devoto de Nossa Senhora Aparecida. Por via das dúvidas, a candidata a deputada Margarida Gaigher aproveitou uma das visitas ao escritório do senador, em Campo Grande, para posar para fotografias ao lado da santinha.

Agora seja o que Deus quiser…