30/5/06
A campanha eleitoral que começa a se definir em Mato Grosso do Sul para as eleições do próximo governador, em outubro deste ano, repete quase que com as mesmas palavras o início falastrão de 1998, quando pela primeira vez o Estado elegeu um governador do PT.
Naquela época, durante encontro com empresários na sede da Associação Comercial, em Dourados, o então candidato Zeca do PT bradava contra a sonegação fiscal e ameaçava abrir a "caixa preta" por onde, segundo ele, escoavam os recursos do Estado. "No meu Governo não vai ter essa tal de Campina Verde!", dizia o petista.
Agora, oito anos depois, só mudou o cenário. No encontro com produtores rurais, na sede do Sindicato Rural, em Dourados, o pré-candidato André Puccinelli, do PMDB, também ameaça investir contra quem estimula a sonegação fiscal, diz que vai abrir a "caixa preta" do desvio de dinheiro público e repete o velho bordão: "No meu Governo não vai ter essa tal de Campina Verde!".
27/5/06

Murilo e Marisa fazem caras de "não tô nem aí" para André
O pré-candidato a governador André Puccinelli (PMDB) passeou hoje por entre cavalos e bois, conversou com peões e ginetes, criadores e criados, abraçou criancinhas, mas nada falou sobre o imbróglio que envolve a disputa do candidato ao Senado, durante visita a Expoagro.
Ainda que os pré-candidatos a essa vaga - Murilo Zauith, do PFL e Marisa Serrano, do PSDB - reforçassem o cordão pelas ruas do parque de exposições, onde Puccinelli era apresentado e em algumas paradas até saudado como "futuro governador", nenhuma palavra sobre quem seria o dono da vaga.
No espaço destinado ao julgamento das raças, Puccinelli relutou em entrar - "pode atrapalhar o pessoal", disse ao sindicalista Gino Ferreira, obtendo como resposta a garantia de que "você aqui pode tudo, é o artista principal da festa".
Até parece que o peemedebista estava prevendo a saia-justa. O locutor do evento, ao saudar as autoridades, nominou alguns poucos apenas, como o ex-prefeito André, o deputado federal Murilo Zauith e a senadora Marisa…
O pré-candidato a governador pelo PMDB de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, já revelou aos amigos mais próximos que acha mais interessante o deputado Murilo Zauith, do PFL, começar a se preparar para assumir a Prefeitura de Dourados, em 2009, do que insistir nessa disputa com a ex-deputada Marisa Serrano pela única vaga aberta nas eleições deste ano para o Senado.
Por esse motivo, ele vem adiando o anúncio de quem seria o companheiro ideal na chapa majoritária para a disputa deste ano, mas não esconde de ninguém a preferência pelo nome da professora Marisa, com quem aliás almoça hoje na Expoagro, em Dourados. Puccinelli também vai aproveitar para convidar o presidente do Sindicato Rural, Gino Ferreira, para disputar uma vaga de candidato a deputado estadual.
Quem está ficando de fora nesse jogo é justamente o presidente municipal do PMDB douradense, radialista Marçal Filho. Interessado em voltar para Brasília, Marçal encontra resistências dentro do próprio partido dele e agora até as cogitações para vir a ser o vice de André, em uma eventual chapa pura, começam a ficar mais distantes.
O ex-prefeito de Campo Grande volta a sonhar com Murilo de vice, como trampolim para pleitear a vaga de Tetila em Dourados daqui a dois anos e depois, quem sabe, em 2010, aí sim, sonhar com o Senado, já que vão se abrir duas vagas. De quebra, Puccinelli ainda ficaria livre de uma eventual ameaça do interior no comando do Estado. Mais uma vez, os bastidores escondem a conhecida disputa Capital x Interior.
26/5/06
Não vi e nem ouvi até agora nenhum dos muitos novos líderes ruralistas reagirem à afirmação feita em uma das inúmeras visitas pelo interior do País por parte do presidente Lula, quando indagado sobre o movimento nacional batizado de Alerta do Campo.
Ao estilo caboclo, que aliás é o que os petistas chamam de próprio ao "homem que fala a lingua do povo", Lula disse que não estava muito preocupado com esse manifesto, até porque (palavras dele), tratores e máquinas não votam mesmo…
Agora, ao mandar os ministros anunciarem alguns pontos de um pacote que pretende contemporizar a crise do agronegócio, certamente o presidente já conseguiu provocar reações de todo tipo e, claro, contraditórias.
Mas, como as eleições só acontecem em outubro…
25/5/06
Quando chegou janeiro deste ano que nasceu com um calendário marcado pelo carnaval, copa do mundo e eleições, sem contar as greves, rebeliões e protestos generalizados - destes que a gente não conseguer marcar data - cheguei a cogitar um artigo com o título `feliz 2007´, mas fui devidamente aconselhado a respeitar a ordem natural e cronológica das coisas.
Por isso mesmo, só agora, após conferir que o carnaval foi vencido pela Vila Isabel, com a força de Hugo Chavez e que a Copa do Mundo ainda não empolga, restando menos de quinze dias para o pontapé inicial e que as eleições parecem se apresentar com caráter plebiscitário, estou começando a achar que o melhor mesmo é começar a se preocupar com 2007.
Porque, decididamente, depois da gripe do frango, da febre aftosa, das rebeliões que permanecem ecoando de forma ensurdecedora e dos protestos que na verdade vão começar a produzir efeitos reais - e, infelizmente, ainda mais desestimulantes - a partir do segundo semestre, não nos resta muito mais a fazer neste ano. A não ser acreditar que haverá de existir, de fato, a tal luz no fim do túnel.
20/5/06
O prefeito Laerte Tetila (PT), do alto da irritante paciência que o conduz já à metade do segundo mandato, não perdeu a fama de mau contador de piadas, hoje mais uma vez, diante de um público visivelmente anti-petista, na abertura da Expoagro.
Quando todos esbravejavam contra a falta de política agrícola do Governo central, fazendo eco ao grito dos ruralistas que esperam o famoso pacotão previsto para o fim da semana, o prefeito de Dourados preferiu lembrar de uma passagem histórica, na Era Glacial para tranqûilizar o setor.
"É preferível sofrer juntos do que morrer separados", concluiu ele, depois de contar o drama de porcos espinhos que se abraçavam no frio intenso para manter o calor necessário à vida. "E não adianta espernear!", ainda advertiu o petista, mantendo a retórica do momento de que, já que existe a crise, então que saboreemos todos um gole dela…
18/5/06
Apesar da gripe aviária, da febre aftosa, da super-safra sem preço, do dólar em baixa, da rebelião de produtores rurais, servidores públicos, médicos, agentes penitenciários e presos, a 42ª Expoagro começa hoje com boas expectativas.
O bom começo de tudo foi a "rebelião" juvenil desta manhã, quando estudantes deixaram as salas de aula e, desobedecendo orientações da Iagro, do Sindicato Rural e até da direção da escola, promoveram a tradicional cavalgada, com um recado direto aos protestantes de plantão: Bola pro alto, cabeça erguida, é preciso levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima!
Agora, nos próximos dez dias, independente dos números que venham a ser apurados nos leilões e na comercialização dos produtos à mostra durante a feira, é preciso ter consciência de que se não houver iniciativas e vontade, com pelo menos um pouco de comando e organização, vamos todos à anarquia.
17/5/06
Aos que continuam questionando o comentário quanto ao poder de mobilização do grupo organizado PCC, fica o registro: Ao atingir a marca de 52 rebeliões, o estado de São Paulo mereceu rapidamente a presença do ministro Márcio Thomaz Bastos, inclusive oferecendo o apoio do Exército e todo o aparato policial do Governo Federal para ajudar o governador Cláudio Lembo (PFL) a enfrentar o crime organizado.
Enquanto isso, contam-se aos milhares os caminhões e máquinas agrícolas que permanecem às margens das rodovias pelo Brasil afora. Só o Mato Grosso do Sul, um dos maiores produtores de grãos do País, fechou ontem quase todas as estradas federais. E nem sinal do ministro Roberto Rodrigues que, por enquanto, sinaliza apenas pulverizar R$ 1 bilhão para todos os sojicultores nacionais, e ainda assim a partir do ano que vem.
14/5/06
Política, antes de ser considerada uma arte, deve ser vista como ciência. Em tempos pós neo-liberais, como os instalados sob a bandeira do PT, essa arte ou ciência passa a ser vista também como a capacidade de negociar, ocupar espaços, distribuir poder…
Afinal, não é com outros objetivos que duas figuras da linha de frente da história política de Mato Grosso do Sul trabalham muito bem essa "ciência". Leite Schimidt, o líder maior do PDT, prefere esticar o tempo a definir pra onde vai o partido de Brizola na disputa regional, enquanto Londres Machado, do PL, faz o mesmo jogo, com a diferença de que não teria pudores em fincar um pé em cada canoa.
Aliás, em se tratando de pudores, nem o próprio eleitor está disposto a conjugar mais esse verbo. Hoje, o que predomina é a regra do "vale quanto pesa". Se você controla um partido, tem um peso; se este partido significa contingente eleitoral, um novo peso; se trabalha melhor nas articulações de bastidores, outro peso, e por aí vai.
Resta saber quem está jogando com mais precisão. Porque, definitivamente, em política nem sempre quem ganha é o vencedor!
A rebelião organizada no final de semana, em pontos estratégicos, partindo de São Paulo, o centro nervoso da América, pelos integrantes do PCC, o grupo de presos que diz controlar o crime organizado dentro e fora das cadeias, mostra uma outra face do Brasil: a vulnerabilidade.
Quando o presidente Lula se curva ao discurso fantasioso de um novo fantoche sul-americano, o boliviano Evo Morales, e em terras tupiniquins a omissão dá lugar a iniciativas desastrosas, percebe-se que a organização, ainda que criminosa, aliada ao planejamento estratégico, é a melhor saída.
Se Fernandinho Beira-Mar dá as ordens, sem celular (será?) e sem os recursos da internet (será de novo?), paralisando o Brasil, é preciso então concluir que esse movimento dos produtores rurais (com GPS, radares eletrônicos, caminhonetes de última geração e muita gordura pra queimar) nada mais é que um grão de areia no deserto.
O PCC já deu a palavra de ordem: Moraliza Brasil!