Veja aqui um trecho da intervenção do deputado Murilo Zauith, do PFL-MS, membro suplente da CPI dos Correios (www.cpmidoscorreios.org.br), durante a oitiva com o publicitário Marcos Valério, o "carequinha" anunciado pelo deputado cassado Roberto Jefferson:
O SR. MURILO ZAUITH (PFL – MS) –
Sr. Marcos Valério, sabemos que o PT tinha um projeto de Poder. Estávamos vivenciando isso, as ações dele para isso. E o senhor, pelo noticiário que estamos acompanhando, era o instrumento do PT para tudo o que se está noticiando. Tanto que o senhor está nesta CPMI, foi inserido nesta CPMI e está aqui dela participando. E o senhor, como publicitário, dono de empresa de publicidade, hoje sabe o valor que tem, principalmente na mídia: capas de jornais, revistas. O senhor sabe quanto custa isso na mídia, estar tão exposto desse jeito, em canais de televisão, noticiários e horários nobres. O senhor talvez seja o produto mais vendido hoje no Brasil pela imprensa. O senhor representa, nessas relações de tráfico de influência com o Governo, conforme foi dito aqui por Deputados, pela notícia, pelas suas relações comerciais… Na sua avaliação, o senhor sabe muito bem o que o senhor representa neste contexto todo hoje no Brasil. Tanto que o senhor vem aqui protegido por uma liminar, vem blindado para dizer o que o senhor quiser. O senhor pode não responder perguntas – a liminar lhe dá esse direito; O senhor tem o direito de não ser preso – a liminar lhe dá esse direito também. E isso mostra o quanto o senhor é valioso hoje no País, tanto que está com essa blindagem do Supremo Tribunal Federal. E mais ainda: hoje a imprensa toda mostra que, ontem, o Presidente Lula passou o dia todo aborrecido, mal-humorado e preocupado com as suas declarações hoje aqui. Com a sua importância hoje para o País, nesta CPMI, se o senhor não tivesse essa blindagem, dizer alguma poderia derrubar o Governo?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Eu não me dou toda essa importância. Eu sou um cidadão normal e me vi envolvido no maior imbróglio da história deste País. Acho que o meu depoimento não ia tirar o sono do Presidente Lula e acho que de nenhum Parlamentar. Eu não me dou essa importância; não me dou mesmo. E estou falando do fundo do coração: não me dou essa importância, não me dou esse valor. Estou aqui para colaborar, mas não me dou essa importância nunca.
O SR. MURILO ZAUITH (PFL – MS) – E essa preocupação do senhor com essa proteção, com essa blindagem com que o senhor veio, com essa medida que o senhor trouxe aqui do Supremo Tribunal Federal.
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Foi uma atitude jurídica dos meus advogados; não foi uma atitude de blindagem. Foi uma atitude jurídica, uma atitude da defesa, não uma atitude porque sou importante ou porque a República vai cair.Não. Sou um cidadão. A República não vai cair por minha causa. Ela está aí. O País vai continuar…O País vai crescer com a minha presença. Se eu morrer hoje, o País não vai estar nem aí. Sabe quais as únicas pessoas que vão chorar? Meus filhos e minha esposa. O resto… O País vai continuar normal, os deputados vão se eleger normal. E eu…Morri, acabei. Não me dou essa importância, não.
O SR. MURILO ZAUITH (PFL – MS) – O senhor tem preocupação com sua vida hoje?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Nenhuma. Nenhuma preocupação.
O SR. MURILO ZAUITH (PFL – MS) – O senhor anda com segurança, com guarda-costas? Mudou sua rotina de vida?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – A vida da minha família mudou. É a única coisa que posso falar.